Seis formas de imaginar um melhor #Jornalismodedados

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Hassel Fallas autor

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Eu gosto de imaginar o futuro do Jornalismo de Dados porque o exercício leva à ação; a colocar-se em movimento para fazer que as coisas aconteçam ou se transformem em outras melhores, através da prova.

Esse porvir implica criá-lo em equipe, onde se nutrem, moldam e veem à vida as boas ideias. Também implica investir tempo para aprender, reaprender e compartilhar o que foi aprendido; vias seguras em direção a um conhecimento sólido, capaz de elevar a qualidade das análises de dados e, tacitamente, a do jornalismo em geral.

Imaginar o futuro também desata o potencial da genialidade e exercita a perseverança para descobrir, nos problemas que hoje encaramos como indústria, as possibilidades para nos transformar.

Sobre esses eixos projeto seis formas de imaginar como se consolidará o jornalismo de dados a partir de 2015. Não estão escritas em pedra. São pontos de partida para o debate, para examiná-los através do cristal de sua própria experiência e da realidade do jornalismo em seu país.

#1 “Gramatemática”

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A nova camada de jornalistas não se preguntará: E agora o que fazemos com estas bases de dados? Saberão, exatamente, como analisá-las

A nova geração de jornalistas, que estuda ou entrará nas universidades, findará a velha dicotomia que levou a muitos de nós a eleger esta carreira porque “somos bons para as letras, não para os números”.

Para os futuros repórteres essa divisão será uma besteira porque não conceberão a compreensão da realidade sem expressá-la em dados e acompanhá-la de uma crítica visão narrativa dos fatos.

Essa geração será habilidosa em, o que gosto de chamar, “Gramatemática” (Gramática + Matemática); e se formarão por conta própria: de maneira autodidata ou levando cursos especializados. Não esperará que as universidades ajustem seus currículos ao meio que impõe o crescimento do “big data, tendência que não se reverterá.

A sociedade estará enferrujada concludentemente a uma cultura cada vez mais centrada em dados e a nova camada de jornalistas não se preguntará: E agora o que fazemos com estas bases de dados? Saberão, exatamente, como analisá-las, extrair informação e o mais relevante: manifestar conhecimento.

#2 Mais próximo à ciência

O jornalismo de dados estará cada vez mais misturado com a estatística, matemática, engenharia, informática, programação e qualquer outra disciplina que implique o desenvolvimento do pensamento abstrato. Esse jornalismo em gestação será mais holístico, mais próximo ao que hoje conhecemos como Ciência de Dados e Inteligência de Negócios.

Seus praticantes serão capazes não somente de extrair informação de diversas fontes e visualizá-las, como também poderão correlacioná-la coerentemente, aplicar diferentes métodos de análises, contextualizá-la – através da pesquisa profunda – e apresentá-la como um produto interativo sólido e útil; com suas vertentes ideais para móbiles e qualquer outro dispositivo que capture o interesse de suas audiências e os leve a tomar decisões mais informadas.

#3 Gerador de conhecimento

Os jornalistas terão um braço intelectualmente forte para navegar entre bases de dados sem que o fator uau seja o volume da informação ou os programas informáticos para dirigi-los. Saberão o suficiente desses temas para, caso necessário, fazer as coisas por conta própria; mas também para comunicar-se eficientemente com seus aliados engenheiros, programadores e visualizadores, quando a complexidade dos projetos exigir.

O crucial será: a qualidade do conhecimento que gere a análise, a visualização equilibrada no funcional e estético, a história humana atrás dos números. Também será concludente a reação que a investigação causar nas audiências mediante a consistente evidência exposta com os dados.

Será necessário aprender a usar a informação mais inteligentemente. Compreender que ainda que tenham grande volume de dados existe o risco de produzir conteúdo, aplicativos e/ou visualizações totalmente irrelevantes.

Quando consigamos transformar informação em conhecimento, teremos evoluído como indústria. A informação por si mesma deixará de ser o hegemônico nas salas de redação; o estratégico será definir, com os dados, como agregar valor para a vida das audiências.

#4 Integração real

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As equipes multidisciplinares trabalhando em comunhão para fazer jornalismo de dados deixarão de ser a exceção à regra.

As equipes multidisciplinares trabalhando em comunhão para fazer jornalismo de   dados deixarão de ser a exceção à regra. As ideias para definir enfoques, visualização, produção audiovisual e inclusive a narração idônea para múltiplas plataformas já não serão propostas unilateralmente pelos jornalistas, mais bem estabelecidas junto a programadores, engenheiros, desenhadores, produtores audiovisuais e qualquer outro profissional chave na criação de produtos baseados em informação.

A melhor forma de conquistar essa integração será adaptando pautas da metodologia de Project Management; criando um guia flexível de objetivos, organização, planejamento, seguimento e controle de recursos para o sucesso de cada projeto.

Assim terminará a desconexão de que cada um produz sua parte do projeto e logo a reúne com a dos outros.

#5 Fundo e forma em equilíbrio

Em meu país, Costa Rica, dizemos: “uma andorinha só não faz verão”. Nesse sentido, não é jornalismo de dados o que, simplesmente, pega cinco ou seis cifras de uma fonte e as apresenta em um gráfico bonito.

O jornalismo de dados vai muito além disso porque nasce das entranhas da análise rigorosa da informação; da investigação profunda para tentar compreender o que se esconde atrás desses números e a forma em que impacta a vida das pessoas.

O jornalismo seguirá necessitando sua antiga habilidade para contar histórias, porém deverá fazê-lo equilibrando matemática e gramática.

O fundo (a qualidade da análise) será como o cimento da casa e, fazê-lo de maneira consistente será o primeiro e crucial. Logo definiremos os detalhes do acabado (a forma de contá-lo).

Cuidar a forma será chave; contudo para transmitir adequadamente à maior quantidade de pessoas o conhecimento adquirido sobre esse problema analisado com todo o rigor.

 #6 Visão de produto

Nos negócios, ninguém cria um produto para deixá-lo a sua própria sorte e vê-lo morrer. O produto é lançado, provado, ajustado e atualizado para que não perca vigência e consumo. No jornalismo de dados aprenderemos mais da visão empresarial e do marketing para manter nossos projetos vivos e usáveis.

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